Fonoaudiologia

RESPIRAÇÃO NASAL X RESPIRAÇÃO BUCAL

Todos nós, provavelmente, já tivemos contato com uma criança que fica de boca aberta, ronca à noite, baba no travesseiro, é desatenta ou se alimenta mal.

Vocês sabiam que estas características freqüentes são de um “Respirador Bucal”, e que a Fonoaudiologia atua com estas crianças ajudando a superar estes problemas.


RESPIRAÇÃO NASAL

A respiração é um processo rítmico chegando a se modificar em resposta a qualquer estímulo, por exemplo: medo, angústia, euforia, ansiedade, paixão, susto, etc. Nestas situações, ocorre uma alteração do ritmo e da freqüência respiratória.
Nossa respiração deve ser nasal e costo-diafragmática. A nasal permite filtrar, umidificar e aquecer o ar que penetra nos pulmões, funcionando como um fator de proteção para nosso organismo.

Se observarmos a respiração dos bebês, veremos que eles possuem uma respiração ideal, ou seja, utilizam a respiração nasal e costo-diafragmática (movimentando o abdômen).
Com as tensões que nós sofremos no dia a dia, podemos ir modificando este padrão, alterando-o, isto é, ao utilizarmos o diafragma, movimentamos durante a respiração, a parte superior do tórax.


RESPIRAÇÃO BUCAL

Existem vários fatores que podem impedir ou dificultar a passagem de ar pelo nariz. Alguns destes fatores são: hipertrofia (aumento) das adenóides e amígdalas, desvio de septo, rinite, sinusite, bronquite, asma, pólipos nasais, alergias, etc.

A criança que passa a respirar com a boca, geralmente desenvolve uma série de características que podem ser observadas, em maior ou menor número, dependendo do tempo em que este hábito tenha sido instalado. As características mais visíveis da criança portadora de Respiração Bucal são: boca aberta, lábios hipotônicos, línguas alargada, olheiras, arqueamento do palato, alterações na arcada dentária, otites, ronco, postura corporal inadequada, má alimentação e falta de atenção e concentração. Esta última característica passa a ser mais observada na fase em que a criança inicia o processo de escolarização.
Tais fatores são facilmente observados pelos fonoaudiólogos, mas também por outros profissionais, como: pediatras, professores, dentistas ou pelos próprios familiares que devem, o mais rápido possível, procurar a opinião de um especialista.


TRATAMENTO

Qualquer que seja a conduta médica utilizada para tratar do Respirar Bucal (cirurgia, medicamentos alopáticos ou homeopáticos, etc.), devemos lembrar que a criança desenvolveu um hábito respiratório inadequado (respirar pela boca), portanto ela necessita aprender a respirar corretamente pelo nariz, o que parece fácil mas não é.

Os pais podem Ter a impressão de que uma criança que sofreu uma cirurgia para a retirada de adenóides voltará a respirar automaticamente pelo nariz, mas isso muitas vezes não ocorre.
O trabalho de reabilitação, realizado pelo fonoaudiólogo, tem por objetivo instalar a respiração nasal, restabelecer o tipo respiratório adequado (costo-difragmático), aumentar a capacidade respiratória, adequar a musculatura oro-facial e trabalhar as alterações da fala decorrentes da respiração bucal.

Sonia Hyppolito Vendramini - Fonoaudióloga



COMER BEM E FALAR BEM

Existe uma estreita relação entre a alimentação e a fala. Você já reparou que as mesmas estruturas que utilizamos para falar, também usamos para nos alimentar.? Os lábios, língua, dentes, palato, bochechas e mandíbula, nos servem tanto para falar como para comer.

Note também que o período em que ocorre as maiores mudanças no tipo de alimentação, é o que vai dos 0 aos 3 anos de idade e é justamente neste período que a criança aprende a falar. Daí a importância de uma correta alimentação para que ocorra um bom desenvolvimento das estruturas da boca e consequentemente uma fala correta. Isto pode ser feito desde o nascimento. Damos aqui algumas orientações.

A amamentação no seio é a ideal e deve ser realizada por no mínimo 6 meses de vida. Quando o bebê prende o bico do seio da mãe com os lábios e língua e suga movimentando a mandíbula a fim de retirar o leite indispensável à sua sobrevivência, ele está também exercitando os músculos, estimulando o crescimento da face e fortalecendo as estruturas da boca.

Quando a alimentação natural não for possível, a mamadeira deve ter o bico ortodôntico, pois estes procuram imitar ao máximo o formato do bico do seio da mãe, e com furo pequeno para que o bebê possa fazer força para sugar.

Depois de 4 meses, o bebê já pode fazer uso da colher com alimentos pastosos (papinhas, peneiras e frutas raspadas).

Com a aproximação da erupção dos primeiros dentinhos, o que ocorre por volta dos 6 meses, o bebê sente a necessidade de massagear as gengivas. Oferecer alimentos mais duros, como casca de pão, bolacha, pedaços de carne, etc, para que o bebê possa chupar. Além de promover esta massagem nas gengivas, estimula a sensibilidade e a propriocepção da boca.

A papinha passada na peneira deverá ser aos poucos amassada e depois substituída por legumes em pedaços e grãos bem cozidos. Devemos lembrar que é importante variar bastante o gosto (doce, salgado, ácido, azedo), a consistência (mole, duro, com pedaços) e a coloração dos alimentos.

Não devemos “facilitar” a alimentação das crianças oferecendo sempre alimentos moles que praticamente não necessitam ser mastigados com iogurte, pão de forma e carne moída. Os alimentos consistentes que levem a criança a exercitar os músculos mastigatórios devem ter preferência.
Antes mesmo de completar 1 ano, o bebê consegue fazer uso de canudos. É esta a idade ideal para substituir a mamadeira pelo uso de copos e canudos ao tomar líquidos.

Por volta dos 2 anos, quando a dentição de leite está quase completa, ela já tem condições de mastigar como um adulto e, consequentemente, Ter uma alimentação igual a de seus familiares.
Procuramos neste artigo oferecer algumas sugestões que todos os pais podem seguir, o que será um valioso trabalho “preventivo”, evitando assim, muitas das alterações de fala que as crianças apresentam.

Sonia Hyppolito Vendramini – Fonoaudióloga



OS BENEFÍCIOS DA ALIMENTAÇÃO

Atualmente, não se discute mais a importância da amamentação natural. Todos sabemos que o leite materno é, e sempre será, o melhor alimento para o bebê. Além de conter todos os nutrientes necessários para um desenvolvimento sadio, também contém substâncias de defesa (anticorpos) que o deixa mais protegido até que ele adquira seu próprio sistema imunológico.

Além disso, no ato da amamentação, ocorre uma grande troca afetiva entre a mãe e o bebê, que é feita através dos toques e carinhos, do ato de falar, cantar e olhar para o bebê, do calor do seu corpo, etc. Este aconchego com a mãe é um momento de grande prazer e de intensa satisfação psico-emocional. Assim, no momento em que a mãe segura o seu bebê no colo para amamentá-lo, ela nem imagina o quanto está estimulando o desenvolvimento visual, auditivo, tátil, cinestésico e também emocional de seu bebê.

Somando-se a todos estes benefícios, existe outro, não menos importante, que é o ato de sugar. A sucção ajuda a desenvolver de modo harmônico e equilibrado as estruturas da boca. Quando o bebê apreende o bico de seio da mãe com os lábios e língua, e suga movimentando a mandíbula a fim de retirar o leite, está também exercitando os seus órgãos fono-articulatórios. Isto é, o bebê ao sugar estimula o crescimento e fortalecimento de todas as estruturas da boca, tais como, lábios, língua, bochechas, mandíbula e palato.

O fato do bebê ser estimulado a sugar adequadamente, irá trazer conseqüências benéficas para as outras funções da boca, que são a mastigação, a deglutição e a articulação das palavras. Mas para que tudo isso ocorra de uma forma mais efetiva, o ideal seria que as mães amamentassem seus filhos no mínimo por 6 meses.
No entanto, sabemos que muitas vezes alguns fatores podem impedir a amamentação no peito, por exemplo, quando o leite seca, as rachaduras no mamilo, doenças da mãe, etc. Para estes casos, existem recursos que ajudam as mães a contornarem estes problemas, como por exemplo, os bicos ortodônticos para mamadeira. Eles procuram imitar ao máximo o formato do bico do peito da mãe, no momento em que o bebê suga, fazendo com que ocorra uma boa estimulação da musculatura oral.

O tamanho do furo do bico da mamadeira também tem papel importante para o desenvolvimento correto das funções da boca. Fazer uso de bicos com furos grandes, exagerados, faz com que o bebê passe a se defender do fluxo de leite.
Portanto, no aleitamento artificial deve ser levado em conta o mesmo processo usado no aleitamento natural, ou seja, usar o bico ortodôntico com furos pequenos e segurar bebê no colo, alternando os lados, já que na amamentação natural a mãe alterna os seios a cada mamada.

A mamadeira deve ser retirada progressivamente e substituída pelo uso de copos e canudos. Para nós a idade mais adequada para se retirar a mamadeira é por volta dos 2 anos de idade. Sabemos que é difícil, para algumas crianças, a retirada da mamadeira, no entanto, não podemos esquecer que o seu uso prolongado pode comprometer a musculatura oro-facial, deformar a arcada dentária e prejudicar a emissão de alguns sons como: s, z, j, x, t, d. Caso já exista algumas destas alterações, é importante que os pais procurem orientação fonoaudiológica.

Depois da alimentação através de líquidos (leite, água, sucos), deve-se introduzir os alimentos pastosos (papinhas, frutas amassadas, etc.) e, aos poucos, passar para os alimentos sólidos, até que a criança tenha, por volta dos 2 anos, uma alimentação semelhante a do adulto.

Sonia Hyppolito Vendramini - Fonoaudióloga



SUA VOZ ESTÁ EM PERIGO?

Este artigo destina-se, principalmente, aos chamados “Profissionais da Voz”, ou seja, pessoas que exercem profissões nas quais utilizam a voz constantemente, como um instrumento de trabalho. Podemos citar como exemplos: Professores em geral, corretores de bolsa de valores, locutores de rádio e televisão, atores, atendentes de telemarketing, apresentadores, cantores, advogados e outros.
Estas pessoas devem cuidar da voz com especial atenção, para que não desenvolvam problemas que poderiam até privá-las de exercerem suas atividades. Para isso, é importante conhecer, ao menos superficialmente, como produzimos a nossa voz.

O órgão que utilizamos para produzir sons é a laringe, onde se encontram as pregas vocais ou cordas vocais. Com a passagem do ar expiratório (ar que colocamos para fora), ocorre uma vibração das cordas vocais e obtemos o som, ou seja, a voz. Quando este som é “articulado”, modificado através dos contatos feitos entre língua, dentes, lábios e palato (céu da boca), temos os sons da fala, isto é, os fonemas.
O primeiro aspecto importante para uma boa produção da voz é uma respiração adequada, pois deve existir uma boa coordenação entre a respiração e a fala.

As cordas vocais são como pequenos músculos e estão ligadas a grupos de músculos através de ligamentos. Quando tencionamos a região dos ombros e pescoço, estamos também, tencionando a laringe com as cordas.

No caso de pessoas muito tensas, em que haja tensão constante da região cervical (pescoço), as cordas vocais, sempre tencionadas, entrarão em vibração de forma inadequada e, como isso, podem ocorrer alterações, como irritação, edemas (inchaço), calos, nódulos e fendas.

Estes problemas são chamados de disfonias: a voz se torna rouca, a pessoa faz esforço para produzi-la, e muitas vezes, sente cansaço e dor para falar. Pode Ter episódios de afonia, ou seja, perde totalmente a voz. Assim vemos que o fator tensão, causado por ansiedade, nervosismo, agitação e o abuso vocal, são bastante determinantes nestes casos.

Quando estes problemas ocorrem, principalmente em pessoas que utilizam muito a voz e que não podem se privar de falar, é necessária a ajuda profissional de um fonoaudiólogo. Naturalmente, antes de mais nada, o fonoaudiólogo solicitará um exame otorrinolaringológico e, então, iniciará o tratamento terapêutico, através de exercícios, relaxamento e conscientização dos hábitos inadequados do indivíduo.

Entretanto, o ideal seria que os profissionais da voz tomassem alguns cuidados que chamamos de “higiene vocal”. São as seguintes:

• Procurar diminuir e, se possível, evitar totalmente o fumo;
• Evitar ingerir gelado e os choques térmicos;
• Evitar ambientes com ar condicionado;
• Não imitar sons e vozes de outras pessoas;
• Não gritar e não tentar competir com sons altos do ambiente;
• Evitar o esforço vocal enquanto fizer esforço físico;
• Alternar períodos de esforço vocal como períodos de repouso vocal.

Estes são apenas alguns dos cuidados que devem ser tomados ma, o principal é procurar, de imediato, ajuda profissional, quando alguma alteração na voz for observada.

Sonia Hyppolito Vendramini - Fonoaudióloga









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